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    COISAS DE ARTISTA - NO ARQUIVO DA MEMÓRIA


    IMPERDÍVEL HOJE - NICKINHA E MINGAU NO PET



    Escrito por Claudia Leão às 19h22
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    TESTAMENTO DE ALGUM ALZHEIMER QUALQUER - ABUSO PSICOLÓGICO

    . "Declaro que minha  casa é minha casa, e que...   ao chegar a síndrome que atormenta os dementes, que vem sempre ao pôr do sol... que neste momento, quando eu estiver confusa, não sabendo para onde ir, para qual endereço eu me direcionar - que eu  encontre  pessoas confiáveis (do meu convívio habitual),  que me transmitam confiança...   que me direcionem até o meu quarto... que  me mostrem meus pertences, mostrem-me a minha cama. 

    Faça com que estas pessoas sejam a minha lembrança,  estejam arraigados ao meu tratamento, se preocupem comigo - para que assim, eu saiba que alí é...  e sempre foi o meu lugar. 

     

    . "Declaro que dentro do meu espaço, se ainda tiver habilidade para tais atos, poderei sempre fazer tudo que sempre fiz enquanto era lúcida.

    Que não me tirem o cavalete e as tintas do canto,  que sempre costumaram  a estar ; e que... também, não me digam que eu não sei pintar... porque eu apenas esqueci a forma de fazê-lo.

    Se eu não estiver completamente lúcida, que meus cuidadores me incentivem a começar a fazer as coisas que  eu sempre  fazia muito bem... com fazer uma boa bacalhoada por exemplo  - mesmo que não fique boa e quem finalize não seja eu mesma; mas assim,  me sentirei realizada.

     

    . " Declaro que não quero sentir que minha casa não é a minha casa, quero sentir meu passado do jeito  que ele foi um dia. Com enfeites do jeito que eu costumava colocar.

    . "Declaro que  posso abrir a geladeira quando eu quiser para pegar tudo que eu quiser... porque quem paga a alimentação ainda sou eu, com o pouco que  meu marido me deixou.

    ."Declaro que sempre gostei de empadinha com guaraná, que quando fizerem compra de supermercado, nunca se esqueçam.  

    Se isso acontecer um dia, que meus cuidadores me façam voltar à ter liberdade em minha própria residência."

     

    . "Declaro que se eu falar que o carro que entra pela garagem é meu, que isso seja respeitado por todos, e que me deixem  emprestá-lo apenas para quem eu quiser.

    Não peguem meu carro sem minha permissão."

     

    . Declaro que nas minhas lembranças do passado, vem à  minha memória - que  minha mãe era muito brava... tive problemas com isso, mas tudo bem ... mesmo assim, no entardecer, preciso saber onde ela está.

    Que meus cuidadores saibam  me despistarem quando  eu procurar por ela, ao final da tarde... olhando o pôr do sol.

    . "Declaro que  não tenho memória, portanto não tenho vontades, sei que gosto de televisão, gosto do meu animal de estimação, gosto muito de doce,  gosto de me sentir segura.

    Que meus cuidadores sejam capazes de me entenderem, mesmo que a correria do dia a dia, não os deixem perceberem - àqueles pequenos sentimentos, que mesmo perdendo a memória - demonstrei , um dia, à quem podia confiar"

    Claudia Leão / outubro /2009.



    Escrito por Claudia Leão às 21h25
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    DETERMINAR TUDO ANTES DE PERDER A LUCIDEZ

    A

    inglesa Judy Robbe, de 66 anos, mora em Belo Horizonte há 40 e trouxe para o Brasil a idéia de um testamento que começa a circular na Europa e nos Estados Unidos. O living will (desejo de viver) expressa como ela quer envelhecer e ser tratada quando não estiver mais lúcida, se isso acontecer no futuro. O documento é assinado por dois médicos e um tutor da família, indicado por ela. Abaixo, o testamento de Judy.

     

    A família também não está preparada para o envelhecimento de um pai ou mãe,

    quando mostram os primeiros sinais de dependência.

    "cada um envelhece como viveu!"

    .   Declaro que quero envelhecer com saúde física e lucidez mental

    • Declaro que quero ser independente, com ajuda mínima para fazer aquilo que não consigo

    • Declaro que quero viver ao lado do meu marido, enquanto for possível

    • Declaro que quero envelhecer com meus filhos e netos me visitando, porque gostam de estar comigo

    • Declaro que quero ficar na minha própria casa em Belo Horizonte enquanto estiver lúcida e autônoma para realizar as tarefas do dia-a-dia

    • Declaro que, se perder a independência, irei para uma residência de idosos escolhida por mim
     
    • Declaro que quero viver com recursos mínimos para as minhas necessidades

    • Declaro que quero ficar rodeada pelos meus livros, lembranças e animais de estimação

    • Declaro que quero ficar com meu computador para que possa comunicar-me com parentes e amigos ao redor do mundo

    • Declaro que quero viver sentindo-me útil à sociedade

    • Declaro que meus desejos devem ser respeitados se eu não conseguir mais me expressar ou tomar decisões quanto ao meu tratamento

    • Declaro que não quero medidas heróicas para prolongar minha morte, quando as chances de vida já não existirem.

     



    Escrito por Claudia Leão às 20h57
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